sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Diante do Mar *

Às vezes tudo que eu quero e preciso é descansar.
Não apenas descansar o corpo, dormir, mas descansar a mente! Colocar os pensamentos no lugar. Mas acho que poucos param para pensar nessa necessidade.

No corre-corre dos dias, as pessoas se atropelam em milhões de afazeres. Todo mundo fala que é preciso parar e descansar, mas na escola ninguém nos ensina como fazer isso. Ninguém nos diz quando parar ou o quanto isso é importante, o quanto é fundamental para nossa saúde. O mundo sempre exige mais e mais. Mas tem hora que a gente precisa fugir um pouquinho do mundo, sem necessariamente precisar sair dele. A gente precisa se dar férias!

Férias são pra mudar de ares, passear, descansar.
O primeiro pensamento é ir pra uma praia e sentar diante do mar.


"Quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor" - Nando Reis
[A varanda do vô, em Cabuçu - meu paraíso particular.]

Diante do mar, refletindo o infinito do céu, aquela imensidão azul esverdeada e aparentemente sem fim, me pego refletindo na minha própria vida finita. Olhando pra frente, pro horizonte, penso no futuro, na incerteza do desconhecido. Me pego fazendo planos. Me sinto impotente diante da grandeza do mar. Tão poderoso. Tão grandioso. Tão maltratado.

Olho meus pés fincados na areia e me confronto com o presente: quem sou, onde estou; o que escolhi ser. Admiro o mar: Sempre o mesmo, nunca igual. Sempre mudando, sempre igual. Pode ser ‘previsto’ no ir e vir das suas marés, mas nunca controlado. Não pode ser contido, mas se respeitado, sempre sabe o seu lugar. Grandes ondas... Calmaria...

Olhando pra trás, as pegadas que deixei. O meu passado, onde de tantas formas o mar esteve presente. Aquela mesma praia. Aquele mesmo mar. A criança desastrada que perdeu o biquíni... Que aprendeu a nadar... Que quase chegou a se afogar... Que, dentro de suas águas, se descobriu a amar... Que caminhando pelas pedras que se transformaram em areia planejou um futuro que se transformou em presente e que a faz continuar a pensar. Me pego revivendo esse momentos. Caminhadas.. Pescarias...

Mais um por do sol que ela vê no mar.
O mar me dá medo. O mar leva... O mar traz.
O fim do dia trás uma sensação de fim.
Memória. Vida. Futuro.
Futuro, tão desconhecido quanto seu fim.


Sair hoje pra caminhar na praia foi muito bom. Amo a praia. O mar. O vento. A vista. A imensidão e liberdade. Muita gente bonita. Jovens. Idosos. Casais. Amo observar a vida acontecendo. Os casais namorando apaixonados, intensamente curtindo o momento, caminhando de mãos dadas. Jovens pais desfilando com seus bebes. Felizes. Os que não tinham filhos, mas estavam ali com seus cachorros. Idosos caminhando ainda de braços dados. Desejei um dia poder estar como eles. Com uma historia... Juntos.

Na praia cabe tudo. Cabem todos. Da patricinha ao hippie.
Eu me encontro mais quando vou a praia.

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Ontem eu fui à praia e esses pensamentos não sairam da minha mente. Afinal, esse texto foi escrito nessa varanda que me trás tantos sentimentos e memórias e postado depois de um dia de praia e conversas com a Nega Linda.Eu precisava republicar. [Orignalmente postado em Meu Lugar em 20/05/09]

3 comentários:

  1. Sei lá, sempre que eu paro muito pra pensar ou ajeitar as coisas na cabeça fico meio deprimida. Gosto mais de mato que de praia, vai ver é isso.

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  2. Coisa de quem ama num amor 'impossível'?!

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