sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sensação de 'fim-de-festa'.


Apesar de todas as confraternizações e das tradições de reunir todo mundo em grandes jantares, essa época do ano me parece fazer as pessoas se sentirem ainda mais solitárias! Às vezes acho tudo isso tão hipócrita. Vivem uma ilusão por alguns dias e esquecem de colocar em prática os mesmos valores tão aclamados nessas datas nos outros 360 dias do ano. Ainda assim, ver todo mundo se reunindo faz aumentar ainda mais a saudade e a vontade de ter certas pessoas por perto, quando elas infelizmente estão longe do nosso alcance. E é tão ruim sentir-se só.

É a velha sensação. A festa acaba, fica apenas a casa vazia. Quando acaba a agitação é como se o vazio aumentasse ainda mais! Resta apenas o silêncio ecoando entre os indícios espalhados ainda lembrando que ali houvera uma festa, já sem música, sem risos, sem vida. Uma bela bagunça pra arrumar. 

Fim de ano parece sempre uma ótima época pra organizar as coisas. As pessoas se enchem de planos, fazem zilhões de listas. Mil e uma promessas. Compreensível, afinal, é mais um ciclo que se fecha. Você quer fazer um balanço de tudo, estabelecer novas metas. Mas os que as pessoas esquecem é que os mesmos que dormem no dia 31 acordam no dia 1º - ainda que, talvez, com um pouco de dor de cabeça. Se elas vão ou não conseguir cumprir as promessas, em muito, vai depender delas mesmas. 

Pra alcançar o que se deseja é preciso correr atrás! Ter objetivos faz a gente persistir, ter um foco. Estabelecer metas a curto e médio prazo é importante pra se ter pequenas alegrias e conquistas enquanto não se alcança um objetivo maior. Mas tenho medo de planos muito detalhados, facilmente frustráveis, que podem levar à muitas decepções. Afinal, problemas com certeza irão existir. 

Nem tudo vai ser fácil. Nem todos os caminhos serão óbvios. Mas é preciso lutar pra ser quem se quer, pelo que se quer, por quem se quer. Esperando tempo ser favorável, a hora certa ou a oportunidade perfeita chegarem,  vai-se deixando o tempo passar,  os anos passarem, a vida passar. 

Na vida é necessário criar as próprias oportunidades, agir pra que as coisas aconteçam. Saber o que se quer pra poder buscar o que se deseja. Querer nem sempre significa poder, mas pode ser o primeiro passo para conseguir. E quer saber?! Eu quero!


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“O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente.”
(Fernanda Young)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Caótico.


Cansada. Essa era a única palavra que ela encontrava para definir seu estado. Era assim que ela respondia quando alguém perguntava. Cansada de tanto pensamento, de tanto sentimento, de tanta responsabilidade. Cansada de ter que estar em dois lugares ao mesmo tempo. Cansada de não conseguir estar em lugar nenhum. Cansada de se sentir sozinha no meio da multidão. Cansada de sorrisos sem resposta. Cansada de se perder no meio de milhões de palavras incapazes de fazer sentido e traduzir sentimentos. Ela estava cansada de ter que parecer não sentir. De parecer não pensar, quando tudo que ela não conseguia era parar. “Onde é que fica o tal botão de desligar?” Tudo que ela precisava era parar. Precisava ir pra longe. Precisava ter tempo. Precisava de colo. Precisava de abraços. Precisava ir ao cinema. Precisava ouvir música. As suas músicas. Sem ninguém que reclamasse do volume ou da escolha. Ela precisava dançar, 'like no one's watching'.  Ela precisava organizar a bagunça. Ela precisava de espaço. Ela precisava desesperadamente não precisar dividir espaço. Ela precisava de espaço. E dos seus livros. Ela queria ler. Ela queria não precisar ler. E ler só porque queria, não porque precisava. Ela precisava chorar, mas isso ela não queria. Ela queria escrever. E faria isso se as palavras não saíssem descontroladas desrespeitando toda a lógica. Ela queria descansar. Cansada, sim, era isso que ela estava. Ela precisava parar, principalmente de falar de si mesma em terceira pessoa. Ela precisava urgentemente de férias.

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Dezembro começa assim. Caótico.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Desaparecida *

Desculpe se às vezes desapareço... 
É que tenho o péssimo hábito de só querer aparecer quando estou bem.

Pra você, quero vestir sempre meu melhor sorriso; e não ando nos meus melhores dias. Quero sempre ter palavras doces e quero poder voltar a falar de amor e beijos apaixonados. Mas o que sinto por enquanto é a boca amarga e o coração solitário.

Momento carente-possessiva; talvez insegura, talvez irritada demais. Cansada de dor. Com medo de ferir [bicho machucado..]; de perder a razão; de reações extremas. Egoísta. Invejosa.

É... eu não sou perfeita. Mas juro que sou bem intencionada.
O silêncio se faz meu amigo. É tanto silêncio que é difícil se concentrar. É vazio. É escuro. Exercício de paciência. Tic-tac no relógio. Vou ficar bem.. Vai passar.

Sinto falta das cores. Às vezes é tudo cinza. Sinto falta do vento nas folhas das arvores, no rosto. Sinto falta de sair, caminhar... O sol me incomoda. Mas, sempre que saio, continuo a me arrumar pra você, como se você fosse me ver, me encontrar em qualquer esquina. Casual. Labirintos.

Gosto de pensar estar bem pra quando você me ver. Por mim. Pra você.
Pra que? Pessoas olham, mas não vêem.
Dizem que ando meio sumida... De transparente, me tornei invisível?

Continuo aqui. Mas ando com saudade de mim.
Quero que lembres de mim vestindo sempre meu melhor sorriso.



Dizem que o sorriso é a manifestação dos lábios quando encontram o que o coração procura. Ah... se a lembrança do meu sorriso fizer sorrir os lábios teus... Sorrirei ao pensar que, ao me ver, tu sorris.

Sorriso ao encontrar teus olhos.
Teu sorriso por encontrar os meus.
A gente um dia vai se encontrar.
 
 
 
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Ele tava pedindo pra ser postado novamente e o momento me pareceu bem adequado. __ Postado originalmente no Meu Lugar em 28/10/09. (Ah... em outro post eu falo do Meu Lugar...)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Menina Ingênua? *

Aquela que insiste em acreditar na amizade, que não desiste de fazer amigos nem de abraçá-los e beijá-los, mesmo que eles já sejam homens e não apenas meninos; parecendo ignorar a maldade e a desconfiança que a cerca.

Não, essa menina não é ingênua, embora lute e se preserve para conservar sua inocência. Ela sabe que esse mundo é cheio de pedófilos, obcecado por sexo, cheio de violência, de injustiça, de coisas ruins e de olhos cheios de maldade.

Ela já ouviu e viveu coisas terríveis. Nos seus ‘poucos’ anos de vida já vivenciou coisas que muitos não vivem numa vida inteira. Já foi acusada injustamente, a ela já foram atribuídas motivações que nem pensava existir. Já foi magoada por aqueles a quem abriu o coração. Já foi traída. E hoje pensa na maldade que podem ver nos seus atos antes mesmo de agir – cansativo e torturante.

Não, ela não deixou de acreditar no amor. Não deixou de acreditar nas pessoas. Não deixou de acreditar que são possíveis casamentos felizes, mesmo depois de separar incontáveis brigas e saber como palavras rudes vindas de quem se ama podem ser cruéis.

Não deixou de acreditar em amigos-irmãos, cúmplices e companheiros que escutam o choro e o riso sentindo-se honrados, mesmo já tendo se decepcionado. Não deixou de acreditar em idéias grandiosas só porque alguns tratam sonhos como objetos comerciais. Não deixou de acreditar que um mundo bom é possível, embora se sinta enojada do mundo em que vive.

Ela simplesmente fez uma escolha – se recusa a ser igual àqueles que tanto a entristecem: pessimista, fria, maldosa. Ela prefere acreditar que ainda existem no mundo pessoas como ela, que anseiam ver sorrisos verdadeiros e que precisam de abraços apertados, como que para recarregar as baterias. Que como crianças ainda possuem a inocência que mantém protegidas as nossas maiores riquezas: amizade, confiança, respeito... Que precisam que ela não desista de ser quem é para que eles possam encontrá-la.

Mas ela não é apenas uma criança. Ela é uma mulher consciente e ativa. Viva. E sabe-se capaz de despertar e sentir paixões. Cada coisa em seu lugar.

Amigos, Amigos. Amores, Amores.
Tristezas. Ciúmes. Frustrações. Saudades.
Manias. Solidão. Melancolia.
Sonhos. Sorrisos. Braços. Abraços. Carinho. Carência.

 
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Hoje não tem post de Dia das Crianças. Às vezes me encontro pensando um pouco como o Aviador: "Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci."  Mas, relembrar o meu Pequeno Príncipe se faz especialmente oportuno hoje! Um livro, sem dúvida, especial pra mim. Ele levianamente é tratado por muitos  como um 'livro para crianças' e acaba ignorado. Mas "não gosto que leiam meu livro levianamente". Repito então as palavras que se encontram no prefácio da minha edição:
"Sem dúvida as crianças o acolherão de braços abertos, porque elas são capazes de compreender tudo, mesmo os livros para gente grande. Pois temos certeza de que se trata de um livro - e urgentíssimo! para adultos. 'O Pequeno Príncipe' é uma fábula. Ou, se preferirmos, uma parábola. Não é um livro para crianças porque trás justamente a mensagem da infância, a mensagem da criança.  Essa criança que irromperá de repente no deserto do teu coração, a milhas e milhas de qualquer região habitada. A menos que não queira ver, a face do Pequeno Principe, a face de um outro, coroada com os espinhos da rosa.... Este livro é também um teste. É o verdadeiro desenho numero 1. Se não o quiseres compreender, se não te interessas pelo seu drama, fica aqui a sentença do Principe: Tu não és um homem de verdade. Tu não passas de um cogumelo!"
Se você nunca parou pra ler esse livro, acho que você devia. Nem que seja pra poder discordar de mim... #ficadica
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* 'Menina Ingênua?' foi originalmente postado em Meu Lugar em 31/03/09

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

(O Meu) Manifesto Contra a Complicação *


MANIFESTO CONTRA A COMPLICAÇÃO
[para descomplicar a vida , evitar complicações e levar a vida simplesmente
ou apenas: dicas para ser mais feliz]

#1 Não ser conformista com o que ta ruim... mas sempre tentar ver o lado bom!

#2 Não perder tempo.. não deixar pra amanhã.. não perder chances... pq amanha pode ser muito tarde;

#3 Acreditar em verdadeiras amizades e investir nelas! [mas ser cautelosa pra não se expor a quem com grandes riscos te machucará!] Amigos serão fundamentais pra ter com quem compartilhas boas risadas... e pra te ajudar a despreocupar na hora das broncas...

#4 Não espere perfeição! [Evita frustrações] Saiba que vc pode se decepcionar... que pessoas podem errar.. mas que se deve aprender a perdoar. [Afinal... vc também vai precisar ser perdoada algumas vezes!]

#5 Pense antes de agir. Mas não pense demais no que parece sem solução. Acredite no tempo como um bom remédio. Use-o a seu favor!

#6 Se dê o direito de ser feliz e de curtir a própria felicidade sem culpa. [não seja o tipo de pessoa que deixa a felicidade passar sem se dar conta e depois simplesmente diz: “eu era feliz e não sabia”]

#7 Se um dia as coisas derem errado, se dê o direito de ficar triste, de chorar, de curtir a fossa. É preciso colocar pra fora o que não ta bom pra poder estar realmente bem pra curtir as coisas boas que surgirão;

#8 Não viva de aparências. Não tenha vergonha de ser vc mesma ou falar dos seus sentimentos. [Fique triste quando tiver que ficar.. mas não use isso como desculpa ou justificativa pra ser cruel com alguém!] Saiba quem vc é, o que vc gosta e o que vc quer. ‘Conheça-se a você mesma.’ Aprenda a amar você mesma. Só assim você estará bem para outras pessoas poderem amá-la.

#9 Saiba aceitar criticas e fazer criticas de maneira construtiva! [O segredo nem sempre é o que se diz, mas o como se diz!]

#10 Descomplique sua vida... e o mundo parecerá menos complicado!

Esse é o MEU manifesto! E eu o levo muito a sério.
Gostou? Leve adiante essa idéia! Ou crie o seu! ;)

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Eu criei esse manifesto depois de uma conversa com a Minha Baixinha, quando estavamos um tanto revoltadas com tanta gente complicando a vida da gente. No meio da conversa, eu disse assim:
- A pergunta que não cala na minha cabeça é: Porque a vida tem que ser tão complicada? Porque as coisas não podem ser mais simples... mais fáceis? As pessoas complicam tudo! Eu quero ser feliz em paz!!! Isso é querer demais?!
Ai surgiu a idéia:
- Vamo fazer um manifesto! Um manifesto contra a complicação!
E eu fiz! =}

Esses dias tem muita gente tentando complicar a minha vida.
Tava na hora de relembrar o meu manifesto. 
(Publicado oficialmente pela 1ª vez no dia 19/01/09 no 'Meu Lugar')

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

E o Palhaço, o quê que é?

"Palhaço é um homem todo pintado de piadas" - Teatro Mágico

Nunca fui muito fã de palhaços. Eu fazia um verdadeiro escândalo quando criança, sempre que vinha algum circo pra cidade e meus pais me levavam pra ver os palhaços que iam pro meio da rua convidar o ‘respeitável público’ para o espetáculo. Hoje sinto vergonha ao lembrar da cena que eu fazia. Mas eu entrava em pânico! Palhaços, por algum motivo, me assustam. E eles serem escolhidos como personagens de filmes um tanto macabros e noites de horror no Hopi Hari é algo que faz todo sentido pra mim.

Descobri que existe até nome para esse medo de palhaços: coulrofobia. E engana-se quem pensa que isso é medinho de criança. Mais gente do que se imagina sofre desse mal. Eu sou uma dessas pessoas. Até hoje eu tenho medo de um quadro com um palhaço pintado que fica bem na sala de estar da casa do meu avô. Os olhos do Palhaço do quadro são tão reais que parecem olhar pra mim. Não importa pra que direção eu vá, ele parece vigiar os meus passos. Não gosto de ficar olhando pro quadro e nunca fico sozinha na sala em que ele está. Eu nunca decoraria um quarto com palhaços.

Ao mesmo tempo eu tenho um fascínio, uma admiração por essa figura. É engraçado dizer isso, mas, Palhaços me fazem sentir um sentimento esquisito, me trazem um quê de melancolia... Sempre que eu vejo um palhaço sinto uma vontade estranha de chorar. E eu não sabia explicar muito bem o porquê disso.

Um dia, conversando com a minha mãe exatamente sobre essa minha cisma com palhaços, relembrando histórias do tempo de criança, fiz esse comentário sobre palhaços me fazerem sentir-me melancólica. Ela se surpreendeu e me disse que sentia exatamente isso, mas achava que era a única que se sentia assim e que ninguém entendia quando ela dizia isso. Eu entendi.

Eu sempre tive um senso de humor estranho e nunca foi fácil me fazer rir com trapalhadas bobas. Mas os palhaços que acho mais engraçados são sempre aqueles que vêm dos circos mais simples, aqueles de ‘lona furada’, que quase não tem recursos a não ser o próprio dom de fazer rir. Esses são os que me parecem mais verdadeiros e por isso mesmo os que mais me emocionam. Na maioria das vezes tem uma história sofrida. Sabem o valor de sorrir porque conhecem muito bem as lágrmas.  Pintam um sorriso para esconder as dores e semeiam gargalhadas. É como se tirassem a própria alegria do riso que provocam, sem pedir nada mais em troca. Acho isso tão nobre, tão honrado.

Admiro quem faz algo por paixão pelo que faz, por prazer, pelo bem que isso traz ao outro. Admiro quem  aceita 'fazer papel de palhaço', quem doa de si, de seu tempo, quem tem coragem de sair de rosto pintado pra encher de esperança e alegria quem tanto precisa sorrir.  Admiro o trabalho desses que, pra mim, são os verdadeiros  'Doutores da Alegria', esses tantos anônimos que prontamente são reconhecidos, mesmo usando máscaras: palhaços.

É... eu acho que até gosto de palhaços.
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Alguém ai ainda achava que o nome do blog era por acaso?


"O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é a cédula mãe solteira"
O Teatro Mágico -- Pena

(Minha trupe preferida *.*)
--- Música rara em liquidação!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Distração

O meu problema é estar sempre atenta demais, prestando atenção a todos os detalhes, notando cada aproximação. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada para que algo realmente importante aconteça. Já dizia algum ditado que ‘leite vigiado não ferve’ e que ‘telefone vigiado não toca’. Para que a mágica tenha encanto, é preciso desconhecer os truques; só que eu tenho essa mania chata de tentar sempre desmascarar o mágico.

A surpresa é uma incógnita. O desconhecido assusta.
É preciso não esperar nem desesperar nada.



“No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio.
E fantasio, fantasio” Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Solidão a Dois

Caminhavam juntos, lado a lado, mas era como se estivessem sós. Nenhuma palavra era dita. Já não havia mais os risos nem as brincadeiras usuais. Apenas se ouvia aquele silêncio ensurdecedor, que só era interrompido pelo barulho dos seus próprios passos. Eles, que viviam abraçados, agora pareciam hesitar qualquer toque. Ele evitava os olhos dela. Ela já não sabia como reclamar atenção. Eles sequer brigavam. Ela não mais perguntou, desistiu de tentar entender e resolveu não mais desculpar as coisas de que ele não se arrependia. Ele não se incomodou em lutar por ela.

Onde foi exatamente que tudo mudou?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meus Hábitos de Leitora

  • Todo mundo sabe que sou apaixonada por livros! Tenho por eles todo um apego sentimental. E livro pra mim tem que ser livro mesmo! Impresso no papel! Pra eu poder carregar comigo pra onde for, pra ler deitada na cama, no intervalo da aula, pra poder grifar as minhas partes favoritas. Não sei ler no computador! 
  • Eu amo ler deitada, ao contrário de todas as recomendações! E ler normalmente me tira o sono, ao contrário do que todo mundo diz. 
  • Morro de ciúmes dos meus livros! Não sou de emprestar pra qualquer um, não! E tomo todo cuidado com os que me emprestam, da mesma forma que gostaria que tomassem cuidados com os meus. Tenho vontade de esganar quem pega um livro meu e me devolve amassado ou cheio de orelhas... uhhg. 
  • Eu sou um perigo dentro de uma livraria. Entro querendo comprar 1, saio com 2 e descubro que quero pelo menos mais uns 4! Amo dar livros de presente! E adoro ganhar livros também. (Se quiser me dar algum de presente, é so escolher um daqui)
  • Eu tenho mais livros que lugar pra eles e fico em pânico quando alguém me diz que eu devia me desfazer deles. Meu sonho é um dia ter uma biblioteca só pra mim. 
  • Às vezes compro livros que eu já li, mas que não eram meus, só pelo prazer de tê-los e poder reler minhas partes favoritas quando eu quiser. Eu releio meus livros favoritos – alguns já perdi as contas de quantas vezes eu li. 
  • Na única prateleira do meu quarto, organizo os livros por tamanho e por autor. Eu tenho pensando cada dia mais nos planos de reforma tão adiados do quarto e a necessidade urgente de prateleiras resistentes! 
  • Acho tão estranho quando alguém não tem livros ou diz que não gosta de ler. 
  • Eu tenho uma amiga que, antes de começar a ler um livro, lê o final pra vê se vale a pena. Nunca entendi qual é a lógica disso, se o que faz a gente saber se o final valer a pena é conhecer a história. Acho que alguns livros valem mais pelo meio que pelo final. Como numa viagem onde o que conta é o caminho e não o destino. 
  • Tenho um outro amigo que sempre quer me contar o final dos livros (e dos filmes). Porque tem gente que não sabe fazer sinopse sem spoilers? 
  • 'Não gosto de leituras do tipo Harry Potter, Senhor dos Anéis, Crepúsculo, e historinhas de vampiros ou outros bichinhos do mal.' Não gosto de livros de ‘auto-ajuda’, embora não me deixe levar por rótulos. 
  • Eu gosto de livros bons (ainda que ‘ser bom’ seja um conceito altamente subjetivo). Eu não me prendo a um estilo ou uma escola literária. Aprecio a diversidade. Leio dos romances da literatura nacional às distopias políticas de Orwell ou Huxley. Acho que cada estilo tem sua beleza, tem um porquê de ser.
  • Eu leio livros infanto-juvenis e acho que às vezes eles são mais inteligentes e críticos que muito dos best-sellers modinha. 
  • Não sou de escolher um livro pela capa. Mas fico com vontade de ler alguns só pelo título, às vezes sem nem saber de que se trata. 
  • Diferente de 'Alice', sempre preferi livros sem figuras ou ilustrações. Sempre gostei de poder imaginar a história e os personagens do meu jeito, seguindo as descrições do autor. 
  • Amo conversar sobre livros! E sinto muita falta do meu companheiro oficial de leitura que passava horas no telefone comigo resenhando cada capítulo que a gente lia! Tenho preguiça de escrever resenhas, por que sempre tenho tanto pra falar... 
  • Ando com saudades de ler um bom livro. Tenho me permitido ser sugada pelas milhões de coisas da faculdade pra ler e tenho deixado o hábito de ler só por prazer meio de lado. Mas já estou dando um jeito nisso...
Recomendo Livros, de Caetano Veloso como trilha sonora perfeita!
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Eu acho que não sou tão boa em escrever resenhas, mas a Carol é! 
Eu amo as resenhas dela e ela vive me dando dicas de bons livros. #ficadica 
Detalhe.. a idéia desse post também veio dela e eu aceitei a sugestão.
 Ah.. O blog da Carol ta concorrendo pra virar livro. 
To louca pra ter o Expresso pra Dois aqui na minha estante. 
São os último dias pra votar. Me ajuda e vota nela clicando aqui!

domingo, 5 de setembro de 2010

O Monstro do Armário


Ela estremecia só de pensar em entrar naquele quarto. Da porta já era possível ouvir aquele riso macabro. Aquela gargalhada que vinha do armário a assombrava.

Vivia arranjando pretextos só para passar cada vez mais tempo fora. E a cada dia arrumava uma desculpa nova só para chegar ainda mais tarde em casa. Passava cada vez menos tempo no seu quarto – quarto esse que costumava ser seu refúgio, seu lugar.

Os sapatos se escondiam debaixo da cama. Ela abria cada vez menos o armário, até que as roupas que chegavam do varal foram se acumulando por todos os lados e já nem faziam questão de ser dobradas. Dividiam e disputavam espaço com os livros espalhados e todos os cadernos rabiscados – estes sempre a acompanhavam, por que então ter trabalho de guardá-los?

Seus sonhos eram tumultuados, recorrentes. Dormia cada vez mais tarde e tinha que acordar cada vez mais cedo. A bagunça cresceu de tal forma que ela já não sabia onde encontrar a sua paz. Percebeu que naquele esforço em fazer de tudo para não encontrar aquilo que a assombrava, ela já não se encontrava mais. Perdeu-se de si.

Viu que era hora de tomar uma atitude. Até quando ela continuaria a se esconder? Até quando iria evitar aquele encontro inevitável? Tomou coragem, escancarou o armário e com toda firmeza disse enquanto cavava por entre as roupas em que ele se escondia:

– I am not afraid of you! Not anymore! Essa sua gargalhada já não funciona mais. Eu já não sou mais aquela criança boba que você conseguia assustar. Acho que você está na hora de você começar a crescer também e criar coragem de vir até aqui fora pra gente conversar.
Começou a limpar as prateleiras, esvaziar as gavetas e jogar fora tudo que não prestava e que já não lhe cabia mais. Sobrou então bastante espaço pra organizar tudo que era importante e guardar cada coisa em seu lugar. Algumas coisas ela colocou lá no fundo, em prateleiras altas... mas outras elas fez questão deixar bem a vista, ao alcance das suas mãos.

Depois de um tempo, o quarto nem parecia o mesmo. Já não havia nem sinal de toda aquela bagunça. E no lugar daquela gargalhada medonha, do lado de fora era possível ouvir os risos daquela dupla conversando por horas a fio.

– Quer saber? Você nem era tão assustador assim...

"How can you stay outside? There's a beautiful mess inside!"
Far Far - Yael Naim
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A minha teoria é muito simples: “o estado do meu guarda-roupa reflete diretamente a organização da minha mente”

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Morte da Inocência *


Foi devagarzinho que começaram a matar a Inocência...

Pequenas doses de insinuações maldosas e começaram a querer semear dúvidas quanto à sua reputação. Mas ela, inocentemente, achou que devia ser só mal-entendido e não má-intenção. Continuou a sorrir e a brincar.

Começaram, então a julgar suas brincadeiras, a distorcer seus sentimentos. Ela bondosamente tentou explicar e desfazer os ‘enganos’. Só que eles não desistiram e ela chegou a pensar: “meu deus, será mesmo que sou assim?” Mas ela continuou a ser quem ela era e , ainda que com tristeza, a sorrir.

Cansados de sua perseverança, desistiram dos métodos sutis e usaram o maior golpe que podiam: atacaram seus melhores amigos para ver se assim a atingiriam – a Amizade, o Amor e a Confiança. Ela não agüentou tal ferimento tão mortal.

Não suportava ver os que tanto amava sofrendo por sua causa. Logo ela, sofria por ser inocente. Não, era demais pra ela! Jurou a si mesma que não mais permitiria que isso acontecesse. Protegeria quem amava. Não deixaria que ninguém mais pudesse magoá-los!

Passou a se antecipar aos seus inimigos, a enxergar qualquer possível maldade que pudessem atribuir aos seus atos antes mesmo de praticá-los. Deixava de agir dessa ou daquela forma se achasse que isso levaria a atacarem seus amigos. Até se afastou deles quando necessário só para protegê-los.

Assim, foi perdendo as forças... ficando fraca... caindo pelos cantos. Poucos sentiram a sua falta. Não se deram ao trabalho de procurá-la, nem para fazer uma breve visita. Só seus amigos notaram, mas não entenderam de imediato o que acontecia para lutar por ela como ela por eles.

O Amor entristeceu com seu sumiço, a Amizade se perguntava porque ela estava tão distante, mas a Confiança acreditou que devia haver um motivo pra sua ausência e convenceu todos a irem em busca da Inocência. Mas, quando começaram a procurá-la, era tarde demais. Já a encontraram sem vida, prostrada, sem o viço que lhe era tão característico, irreconhecível.

Já faz algum tempo que ela se foi... Aqueles que a feriram de golpe tão mortal, até hoje negam a sua existência e dizem que ela não passa de uma lenda. Mas aqueles que realmente a conheceram e amaram continuam a semear a existência da sua grande amiga, agora, falecida: Inocência.

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Soneto XVII - Mário Quintana
in A Rua dos Cataventos
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* Texto originalmente postado em Meu Lugar dia 13/12/09

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Letra C *


Uma resposta a minha amiga Karol, com K.

Concordo com você. A gente fica cansada depois de tantas decepções. Você sabe que eu te compreendo. Eu também sei que quando a gente cisma com algo, normalmente existe alguma coisa concreta por trás. Mas, dessa vez, eu vou contra você. Talvez até você acabe por concordar comigo.

Coitada da letra C! Ela não tem culpa! Creio que ela seja tão vítima e tão carente quanto nós. Acho que às vezes ela até chora por culpa daqueles que a carregam no nome. Talvez falte nesses sujeitos um outro C , de caráter, que é quando a gente tem personalidade suficiente pra fazer o que é correto.

Calma, é o que é bom ter nessas horas. É desse C que a gente precisa quando alguém pisa no nosso calo. E do C de consciência, pra se controlar, pra não ser empurrado por toda essa correnteza, pra crescer com as cabeçadas que a gente já deu na vida e não deixar de crer no amor.

Com o C a gente ainda pode conseguir muita coisa. Com C se faz carinho, se ganha colo, e se recebe cafuné [coisa que acho que ainda não inventaram melhor!]. Com C a gente pode até fazer cena de ciúme só por charminho, pra ganhar ainda mais carinho.

Com o C a gente conhece o significado de cativar. Aprende que pra cultivar uma amizade é preciso cuidar. Aprende que se conquista confiança aos poucos. E que às vezes,quando a vista da gente fica embaçada, tudo que a gente precisa é de um pouquinho de colírio pra voltar a enxergar o mundo mais colorido de novo, pro sol brilhar mais forte e aquecer o nosso calor-humano.

Coragem! [Com um C bem grande.] Nada de ficar cabisbaixa! Não acredite que somos nós que somos ingênuas. Quem foi que disse que pra crescer a gente tem que deixar de ser criança? A gente tem que é aprender com elas a continuar a levantar mesmo depois das quedas. A gente não pode é deixar de sorrir, nunca!

Continuo acreditando, minha linda, a gente ainda vai ter nosso cantinho no coração certo. Pode crer!

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Não precisa ter ciúmes, sua boba!
Você sabe que vivo escrevendo pra você e por você!
* Texto originalmente publicado em Meu Lugar, em 23/12/09

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sala de Espera *

Histórias de Anônimos... e (des)encontros causuais...

Chegando para mais uma consulta. Sala de espera lotada. Atendentes ocupados. Pessoas estressadas. É preciso esperar.

Entre tantas pessoas, Ele, sentado nas escadas, como quem já está cansado de esperar. Um olhar a surpreendeu. Um encontro de olhares. Um quase encontro. Ele pareceu tê-la encontrado antes que ela a ele, já que dela desviava os olhos ao perceber que ela se voltava para a sua direção. Por que teve ele aquela reação?

Seu rosto... não saia da cabeça dela. Ela o conhecia de algum lugar! Lembrava-se vivamente daqueles olhos... daquele sorriso. Sentiu vontade de continuar olhando, de encará-lo até lembrar. Mas não podia, não devia... O que ele iria pensar?!

Mas se era ela quem estava enganada... por que ele parecia fazer tanto esforço quanto ela pra não ceder a tentação de olhar em sua direção?! Por que ele parecia também ter vontade de sorrir em sua direção?!

Ele levantou... andou pela sala de espera. Mas apesar desta estar cheia de pessoas, havia muitos lugares vazios. Ele não podia simplesmente sentar ao seu lado. Seria bandeira demais. Mas seria a desculpa perfeita para iniciarem uma conversa, perguntar qualquer coisa... as horas.. falar da demora... do motivo que os levara ali.

Sentou numa fileira próxima... ficaram meio de costas um para o outro... mas de forma que a visão periférica permitia que ainda se vissem... Ambos estavam inclinados de maneira que quase se olhavam. Ele com o celular nas mãos... e para ele tentava se manter olhando.

Unhas vermelhas impacientemente se moviam no encosto da cadeira. Ao mínimo movimento na direção de um, o outro fingia olhar pro lado oposto. Não era possível. Coincidência?! Lugares inusitados, lembra?! – Ela poucas vezes se sentiu tão agoniada por sentir esse tipo de dúvida como naquele momento. Não parava de pensar.

De onde o conhecia?! Seria dali mesmo, já que era assídua freqüentadora daquela sala se espera?! Se sim... por que a hesitação dele? De onde? De onde?! – A pergunta não parava de se repetir em sua cabeça. Antes que ela pudesse ter a resposta... antes que pudesse juntar coragem suficiente para perguntar-lhe o porquê ele lhe era tão familiar... ouviu seu nome ser chamado pelo seu Doutor.

Ela levantou e seguiu para sua consulta. Nem tão breve, nem tão longa, mas foi rápida. Saiu da sala procurando se ele ainda estava lá e, sim, ele ainda estava. Mas foi o próximo a ser chamado. Não ele, mas quem ele acompanhava. Ficou feliz já que não era ele quem estava precisando de médico. Será que eram os seus pais, tios, avós...?!

Será que ela realmente o conhecia?! Será que ele também realmente a notara?! Será que ela o encontraria novamente?! Será?! Será?! – Foram muitas as perguntas que ficaram sem resposta. Ela teve de ir embora. E por causa da falta de coragem, toda uma história que poderia ter sido, não foi. Não se sabe que história seria essa. Não se sabe como essas duas histórias irão continuar, ou se algum dia voltarão a se cruzar. Mas se isso acontecer, por favor, que não lhes falte coragem!

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* Texto originalmente publicado em Meu Lugar no dia 13/01/10.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Inspiração (ou PDA!)

Nesse mundo tão grande e tão vasto, existem pessoas que cruzam o nosso caminho e nos marcam de maneira tão intensa e que às vezes nem imaginam o quanto se tornaram importantes em nossas vidas. Não sabem o quanto penso nelas ou o quanto sinto falta. Algumas nem sequer vi, mas suas palavras me atingem tão profundamente, parecem me entender tanto, me definir tanto, que passam a fazer parte de mim mesma.

Nunca encontrei a Kari, mas amo viajar nos textos dela. Vivo passando férias na terra da Layz, mas a gente nunca se cruzou; ainda assim me delicio nas confissões apaixonadas dela. A Carol, não bastasse me deixar morrendo de inveja a cada vez que ela fala da Cidade Maravilhosa, ainda parece que rouba todos os meus pensamentos.

Eu tento, sempre que possível, fazê-las saber da sua importância em minha vida. Mas me pergunto: será que alguém, em algum lugar, também pensa em mim? Eu gosto de imaginar que sim. Gosto de pensar que eu sou o sonho de alguém.

Eu queria ser inspiração pra alguém. Pensar que eu faria alguém parar pra escrever palavras pra mim, pensando em mim, sentindo por mim. Pensar que eu sou o desejo, a saudade ou a imaginação de alguém. Que um coração acelera ao pensar em mim, ao sentir o meu cheiro ou ao som da minha voz. É lisonjeiro ver-se nas palavras de outro, mesmo que isso me deixe encabulada.

Mulheres talvez tenham uma necessidade maior que os homens de dizer o que sentem e principalmente de ouvir. Mulheres gostam de sentir-se únicas, especiais, insubstituíveis. Sentirem que não são apenas mais uma. Mesmo sabendo não ser a mulher mais linda do mundo é gostoso sentir-se admirada. Saber que entre tantas, se é 'aquela' que se deseja. Sentir um carinho só pra si. 

Acho que é por isso que gosto tanto de ler o menino das letras minúsculas, ou aquele que insiste em manter-se anônimo. Eles me chamam a atenção porque escrevem como homens, sabem mostrar-se tais em suas palavras. E ainda assim conseguem amar e mostrar isso. Eles escrevem como quem sente. Como se tivessem um sentimento e uma saudade que não cabe dentro do peito e transborda em palavras. Na sinceridade dos seus desejos. Ah... foram tantos os textos deles que já desejei que fossem pra mim...

Às vezes nem queria algo escrito especialmente pra mim. Sei como é bom simplesmente quando alguém se faz dono das palavras de outro e as dedica como maneira de traduzir o que se sente. Isso só já é capaz de fazer sentir-se a mais especial do mundo. Ver aquela música que sempre achou linda quando a ouvia no rádio e imaginava como ia amar ouvir alguém te dizendo palavras assim sendo cantada pra você já é capaz de mexer com todas as emoções. Ou ouvir aquele poema ou soneto ser dito definindo todas as suas formas e contornos, pra falar do seu sorriso, belos olhos ou do imenso amor por você.

Sinto falta de me sentir inspiração para declarações apaixonadas.
Não é novidade que eu amo demonstrações públicas de afeto.


"My gift is my song and this one's for you
And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world"
                                   [Your Song - Elton John]

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Inaugurando o Te Dedico!, essas, hoje, sou eu quem dedico pra vc.





sábado, 7 de agosto de 2010

Passado

Há um passado em mim que me torna quem eu sou. Que me explica e me dá forma. Um passado que passou, mas que é responsável e que me trouxe para o presente. Do qual sinto saudade, mas que não necessariamente queria ainda viver. Apenas recordar. Relembrar momentos. Lamentar algumas perdas e decepções. Sentir falta de algumas pessoas e circunstâncias.

Dividir o seu passado com alguém é a maior prova de confiança e cumplicidade. É revelar algo que o outro nunca precisaria saber, ou que, mesmo que desejasse, não poderia conhecer a menos que se contasse.

Cecília Meireles diz: “Os fins justificam os meios da minha cara.” Eu digo que ‘meus meios justificam o meu fim’. Eu gosto de compartilhar momentos da minha vida, minha história. Preciso dizer. Preciso de amigos pra compartilhar. Preciso fazê-los saber, conhecer um pouco mais de mim.

Sofro quando algum daqueles em quem confiei acaba por me decepcionar ou magoar. Sou resolvida a superar. Mas não sei (nem quero) ser daqueles que quando se decepcionam, repudiam o passado e todos os momentos que viveram ao lado de alguém. Repudiar os bons momentos que tive com alguém, mesmo que esses momentos já tenham ficado lá atrás, seria como repudiar uma parte de mim. Seria esquecer lembranças que são parte da minha vida.

Quando eu sofro, sofro por mim. Por uma parte de mim que se perde. Por algo que me fazia bem que deixei de ter e me fará falta. As pessoas são insubstituíveis e ninguém nunca substituirá ninguém. Mas não significa que é impossível ser feliz de novo.

Quando descobrir algo sobre mim, não deixe que seja motivo para nos afastarmos, mas que a confiança e o entendimento mais pleno, nos aproximem mais. E que as possíveis lágrimas que acompanhem histórias antigas sejam apenas para limpar os meus olhos para enxergar melhor o futuro que se nos apresenta.


“Onde quer que eu vá, levo em mim o meu passado.
E um tanto quanto do meu fim.
Todos os instantes que vivi, estão aqui.
Os que me lembro e os que esqueci...
Carrego minha morte e o que da sorte eu fiz.
O corte e também a cicatriz”
[Meio Fio – Rita Lee]

domingo, 1 de agosto de 2010

Recomeço

Escrever é minha paixão. Meu hobby, minha terapia. Escrevo às vezes pra lembrar, às vezes porque preciso esquecer. Escrevo, sobretudo pra mim, conversando comigo mesma ou com minha imaginação. Eu me entendo melhor escrevendo. Escrever torna tudo mais concreto, mais real. Eu sou amante das palavras.

A madrugada sempre inspira as melhores teorias e me faz procurar louca por uma folha de papel, por uma tela em branco, um espelho onde possa me refletir, colocar todos os meus sentimentos, desabafos, confissões, experimentar uma deliciosa sensação de liberdade. É por meio das palavras que me sinto mais, que expurgo meus males, que declaro meus amores e minhas dores. Entre tantas memórias, crônicas e declarações de amor, estou eu, bem ali, nas entrelinhas.

Comecei a postar alguns dos meus textos por acaso... Junto com citações, letras de músicas... Algumas reflexões que sempre transformavam em um pouco meu o que quer que eu postasse. Com o tempo os textos foram se tornando cada vez mais autorais. Cada vez mais freqüentes. E o “Meu Lugar” se tornou uma parte importante de mim, um cantinho com a minha cara, a minha paixão.

Algumas pessoas foram descobrindo ele aos poucos... e pelos comentários delas, descobri que as minhas palavras pareciam fazer sentido também pra outras pessoas. Foi então que começaram as cobranças pra tornar mais público o que escrevo, pra divulgar mais o blog... Aqui estou eu, finalmente atendendo aos pedidos.

Infelizmente, não é possível incorporar no blogger o conteúdo do LiveSpaces, que hospeda o “Meu Lugar”, mas, aos poucos, vou tentando republicar aqui alguns dos textos que estão lá. Vai ser difícil deixar o Meu Lugar, e sei que nunca vou abandoná-lo por completo. Podem continuar a visitá-lo, embora deixe avisado que os posts talvez já não sejam tão regulares quanto antes.

Tenho escrito muita coisa ultimamente... mas nem sempre tenho tido tempo de postar... e estou devendo atualizações há algum tempo. Meu presente pra vocês, pra compensar tanta demora , é criar esse novo espaço pra renovar os ânimos. Prometo que vou tentar aparecer sempre por aqui e deixar esse novo lugar com a minha cara.

Sintam-se em casa.
E não se assustem – eu continuo falando por metáforas.